São
meus dias de dor extrema
E
de aflições limítrofes
Torna-se
demasiado suportar
Acordar
todas as manhãs
Sem
saber se sigo respirando
Ou
se devo apenas me trancar
E
partir.
Estou
destruída
Em
pedaços mononucleados
Cansada
da indiferença
De
quem finge se ideologizar
Almas
pequeno-burguesas
Indesejáveis
em minha história.
Ninguém
permanece.
Tudo
se esvai pela sua garganta
Em
esgotos jorrando
Vomito
também meus versos
Que
soniferamente te escrevi
E
bulimicamente sobrevive
Aos
venenos do centro de Niterói.
Nada
me alimenta.
Meus
dias de trabalho selvagem.
E
minhas noites são sombrias
Desenvolvo
a escrita e a língua
E
me escondo sem medo
Meu
abrigo é na montanha
E
dentro de mim mesma.
E
a cannabis me salva.
E
perpetuo uma existência
Esquisita
aos olhos comuns
Sendo
muito pós-moderna
Pseudo-trans
na atividade,
Lesbiana
sáfica com tridente
Gênero
altamente distorcido
Chata.
Anos
passam rápido demais
Metamorfose
lenta e jurássica
Articulações
parecem falhar
Ameaça
de corpo cansado
Estômago
ruindo
E
eu só queria desaparecer
Para
sempre.
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