O sol parece que não vai perdoar
São cinco da manhã, nasci.
E preciso muito do seu calor
Me alimente e me deixe dormir.
Essa noite sonhei com minha mãe
E este momento radiante me liberta.
Lembranças de outrora sobrevoam
E na mente repousam como quero.
Mesmo mais perdida do que só
Atravessando infinitas espirais
Circulando vagarosamente
Meus dedos em seus cabelos.
Me sinto entorpecida de ilusão
A cannabis já posso dispensar
Mesmo ainda avistando
Seus pequenos olhos.
E quando me embriago de tristeza
A solidão é o que menos machuca
A decepção é de amargar
Mas, acordo todos os dias.
E mesmo não restando nada
Roubou minha alma, meus poemas.
Levou embora meu coração.
E mais nada para testamentar.
E nessa jornada não somente dor
Se faz translúcida e permanente.
E se não vou ao teu encontro
É porque não deixei de te amar.
Em minhas mãos a reação das horas
Sou uma força de trabalho
Proletariamente sobrevivendo
Sem as mais belas canções burguesas.
Queria viver de meus poemas
E da minha prosa falsificada
Meramente ficcional
Manuscritos sem data, sem rancor.