domingo, 5 de setembro de 2010

Cadela

Te aguardo no portão cheirando seus botões.

Me desfaço em cada grito esbravejado
E me construo em cada carinho estarrecido
Meu nome nem sei mais
Me chamam tristeza, desapego, drama...
Mas a verdade é que não sofro tanto
Quanto os meus amigos na noite insólita.

Apego-me a qualquer afago
Sendo de chicote ou sendo de cuidado
E permaneço à espreita, silenciosa
Esperando pelo teu abraço
Não gosto de mim
Eu não me amo mais do que um qualquer
Sou um trocado dado sem garantia
Sem retorno, sem maiores intimidades.

E mesmo assim sigo na tua sombra
Medo de brincar sozinha, de jogar sem adversário.
Lança seu dado e beijarei teus pés
Servirei tua mesa, limparei seus talheres.
Nasci para isso.
Ser tua comida, sua bebida e sua cadela,
Para quando me quiser calar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário